O Conceito de Bâtv

Para compreender o conceito de Bâtv conforme descrito no “Sagrado Livro da Atrium” e alinhá-lo com as filosofias ancestrais e gnósticas cainitas, vamos considerá-lo através da ótica de Aristóteles, especialmente em relação à philia (amizade/alegria). Além disso, veremos como Bâtv se constitui a partir de três tipos de amor: âhâpë, Fâtë e Ürvs.

 Bâtv no “Sagrado Livro da Atrium”

Bâtv é descrito no “Sagrado Livro da Atrium” como um amor complexo e multifacetado. É um anagrama da expressão em âlæfÿr: “Zÿvÿr (Bÿvÿr) Azëmokordë Tv Vngæ-me,” que significa “Deus, do fundo do meu coração tu unge-me” (p. 42). Este conceito de amor implica uma união divina e profunda, onde o autoconhecimento e a reciprocidade são fundamentais.

> “Amar o outro é mais real se entendermos que se trata, inegavelmente, de amor próprio e não exportado” (p. 50).

 Comparação com a Filosofia de Aristóteles

Para Aristóteles, philia, ou amizade, é essencial para uma vida boa e virtuosa. Ele descreve três tipos de amizade: a de utilidade, a de prazer e a perfeita, que é baseada na virtude. Bâtv pode ser comparado à amizade perfeita de Aristóteles, onde a reciprocidade e a virtude são centrais.

 Philia (Amizade) em Aristóteles

Aristóteles vê a amizade perfeita como uma relação entre pessoas virtuosas que desejam o bem uma da outra por causa da virtude que reconhecem em cada um. Esta amizade é duradoura e baseada em um profundo entendimento mútuo e respeito.

Bâtv, como descrito no “Sagrado Livro da Atrium”, é um amor que só pode ser realizado plenamente quando ambos os parceiros estão alinhados e autoconhecidos, refletindo a amizade perfeita aristotélica.

> “Bâtv também é sobre o amor companheiro, o amor integral, o amor a uma parte que nos potencializa, tal como o Músico e Maestro, Professor e aluno e etc. Partes que potencializam o exercício da nossa essência, em reciprocidade” (p. 43).

 Bâtv e os Três Amores

Bâtv é constituído por três tipos de amor, conforme a Filosofia Ancestral e Gnóstica Cainita: âhâpë, Fâtë e Ürvs. Esses três amores formam a base sobre a qual Bâtv é construído, dando-lhe sua complexidade e profundidade.

 Âhâpë (Amor Fraternal)

Âhâpë é o amor de afeição e satisfação, caracterizado pela fraternidade e pela alegria de compartilhar momentos e bens com amigos e família. Este amor é central para a construção de relações duradouras e significativas.

> “A satisfação de Âhâpë também diz respeito ao prazer por boa comidas e bebidas partilhados entre pessoas fraternas, formando assim um ambiente harmonioso” (p. 43).

 Fâtë (Amor Intelectual e Fraternal dos Cainitas)

Fâtë representa o amor fraternal dos fabers, onde se ama o outro por sua capacidade intelectual e mágica. Este amor é forte, perigoso e focado na causa comum.

> “O amor Fâtë, para os cainitas, é amar o Faber que existe dentro de um homem e uma mulher e não o homem e a mulher que abriga o faber” (p. 46).

 Ürvs (Amor Erótico)

Ürvs é o amor carnal e sexual, que envolve paixão intensa e atração física. É o amor que une corpo e alma, criando uma conexão profunda e prazerosa.

> “Ürvs representa o amor pela beleza e a perigosa obsessão pelo amado e o prazer que ele traz” (p. 45).

 Bâtv como União de Amores

Bâtv é a síntese desses três amores, criando um tipo de amor integral e profundo. Ele só pode ser realizado quando os indivíduos se conhecem e se amam plenamente, permitindo que esse amor se expanda e se compartilhe com o outro.

> “Para encontrar o Bâtv é preciso se conhecer, o autoconhecimento como uma unção interna, para que tenhas amor para ofertar externamente, é preciso estar preenchido de amor” (p. 42).

 Conclusão

Bâtv é um conceito que combina o amor fraternal (âhâpë), o amor intelectual e fraternal dos cainitas (Fâtë), e o amor erótico (Ürvs). Este amor é visto como essencial para a realização da missão cósmica dos indivíduos, pois é uma expressão de amor incondicional e profundo, baseado na reciprocidade e no autoconhecimento. Comparado com a filosofia de Aristóteles, Bâtv se alinha com a ideia de philia, onde a amizade perfeita é alcançada através do amor mútuo e da virtude.

Referências:

– O Sagrado Livro da Atrium, Capítulo 6, p. 41-50.

– Aristóteles, “Ética a Nicômaco”.

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